Há hotéis algarvios que não deitam a toalha ao chão, mesmo em tempos de crise

Mesmo quase sem turistas, há unidades hoteleiras que se reinventam todos os dias e resistem

Que a crise existe e é bem profunda, todos reconhecem. Mas como é que os hotéis algarvios se estão a tentar adaptar a este momento de quebra acentuada no turismo? Há quem aposte em descontos especiais, em estadias mais longas, conciliáveis com o teletrabalho, e até em estratégias a pensar no pós-pandemia. Ainda assim, também existe quem ache que, por mais voltas que se dê, o esforço é inglório…porque «não há clientes».

A pandemia da Covid-19 veio afetar em muito o setor da hotelaria. Os voos diminuíram, os turistas não chegam ao Algarve e os impactos, mesmo durante a época baixa, são notórios. De tal maneira que se estima que, neste momento, 80% dos hotéis algarvios estão fechados.

É certo que Outubro, Novembro e Dezembro seriam sempre meses mais fracos (situam-se em plena época baixa), mas nada se compara com o que se vive este ano. «Por mais dinâmica que a hotelaria seja, tem sido muito difícil. Mas não desistimos», diz ao Sul Informação João Soares, diretor do emblemático Dom José Beach Hotel, em Quarteira, e delegado no Algarve da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP).

Não baixar os braços parece ser mesmo a única atitude a tomar. No Dom José, explica o seu diretor-geral, há «promoções ao fim de semana, upgrades para quartos com vista mar e ainda uma aposta nas estadias mais longas, com descontos até 40%».

Quem, até 30 de Novembro, fizer reservas para os primeiros meses do próximo ano, também terá descontos que vão dos 20 aos 25%. Basta aceder ao site do hotel e ver a diversidade de ofertas que por lá há.

O hotel está, de momento, com uma taxa de ocupação de 10%, sendo procurado, por exemplo, «por algumas empresas de corporate durante a semana, para reuniões», conta João Soares.

Mas não há comparação possível com Novembro de 2019, quando a taxa de ocupação era de 86%…

«Por aqui se vê. O nível de cancelamentos tem sido grande, principalmente para os fins de semana dos feriados, em que foi decidido que não se pode circular entre concelhos. Tudo tem de ser visto quase dia a dia», lamenta o hoteleiro.

No Hotel Faro, na baixa da capital algarvia, também se têm envidado esforços para tentar combater «a quebra do turismo tradicional».

«As reservas são residuais e estamos a querer dar a volta por cima. As pessoas estão em teletrabalho e lançámos uma oferta de estadias mais longas, com todas as facilidades. Reunimos, com a experiência que temos, as melhores condições para que as pessoas possam apostar nesta iniciativa», conta, ao Sul Informação, Sofia Hipólito, a diretora-geral.

Hotel Faro

Com a oferta “A Sua Casa, em Faro», o hotel oferece pequeno almoço, serviço de limpeza, acesso a ginásio, sauna, banho turco, espaço de coworking para quem gosta de poder ter alguma companhia ou fazer sinergias.

A unidade hoteleira criou pacotes de 15 dias e também de 1 mês, a partir de 875 euros, e até agora o balanço é positivo.

«Felizmente, temos tido procura. Todos os dias temos recebido contactos. Para já, temos duas reservas e notamos que a iniciativa está a despertar interesse. Este pacote, com todas as facilidades que incorpora, é único», considera a diretora-geral do Hotel Faro.

Ainda assim, apesar das tentativas para não deixar morrer um setor tão estratégico para o Algarve, a crise é inegável – e mesmos esses esforços merecem os reparos de alguns.

«Nós temos 80% dos hotéis fechados. A situação é praticamente de desespero. Mesmo os que se estão a tentar adaptar, têm baixas taxas de ocupação», considera Elidérico Viegas, presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA).

Para este responsável, «o esforço é de realçar, mas apenas são complementos que não resolvem o problema».

«As quedas foram abruptas, a situação piorou e as perspetivas de algumas pontes nos feriados caíram por terra com as novas medidas de restrição da circulação», acrescenta.

Elidérico Viegas clama por medidas urgentes para o Algarve. «Há uma situação de desespero! Não tem sido tida em conta a especificidade do Algarve e do turismo. Os próprios apoios tardam em chegar, porque as burocracias envolvidas são excessivas», diz.

Pestana Alvor Praia

Pedro Lopes, diretor do Grupo Pestana no Algarve, pede o mesmo. Também ouvido pelo Sul Informação, este responsável defende que «esta tem de ser a hora de apoiar as empresas e a economia da região».

«Acho que, nos próximos dois, três meses, teremos de ter medidas que evitem o avanço do desemprego, porque isto está terrível e não há volta a dar», diz.

No Algarve, apenas um dos hotéis do Grupo Pestana permanece aberto: o Alvor Praia, em Portimão. Todos os outros fecharam e mesmo este «tem uma fraca ocupação».

«Se não há voos, não há turismo e não há hotéis. A maior parte dos nossos clientes vem do Reino Unido e Alemanha e agora não pode viajar. Mesmo o mercado nacional está bloqueado, com as restrições atuais à circulação entre concelhos, por exemplo», ilustra Pedro Lopes.

Apesar desta realidade, no Grupo Pestana, o pessoal do quadro «tem-se mantido».

E não poderia ser este tempo de quebra aproveitado para apostar em novas iniciativas? O administrador do Grupo Pestana no Algarve é perentório: «não vale a pena tentar arranjar grandes alternativas, se não há clientes».

Mas nem todos os hoteleiros pensam assim. O Sul Informação falou ainda com Lino Martins, diretor comercial do grupo AP Hotels & Resorts, que tem seis hotéis no Algarve, dos quais apenas dois estão abertos: o EVA, em Faro, e o Victoria Sport & Beach, em Albufeira.

O Hotel Oriental (Portimão), o Maria Nova Lounge Hotel e o Cabanas Nature Resort (Tavira), bem como o Adriana Beach Club (Albufeira) estão fechados…porque não há clientes.

Ainda assim, o diretor comercial do grupo AP explica como o momento de quebra está a ser usado para «renovar o site, criar novas imagens, vídeos e apostar em visitas virtuais a todas as unidades». «Acreditamos que é uma maneira de nos colocarmos na pole position para sermos atrativos», quando o mercado retomar, resume.

Hotel Eva Senses, em Faro

Nos dois hotéis abertos, também foram feitas novas apostas. «No Hotel EVA, que está com uma ocupação de 30%, criámos o “Pequenalmoçar”, um programa de brunchs ao fim de semana, que tem tido uma grande procura, além de campanhas especiais, com descontos nas reservas», começa por explicar Lino Martins.

Já no Victoria, além de algumas obras no hotel, «a aposta está em atrair atletas de alta competição», uma vez que esta unidade dispõe, por exemplo, de uma pista de atletismo e de um campo relvado.

«Apesar de termos apenas 15% de ocupação, temos desportistas da Hungria, da Polónia, Noruega ou República Checa. Curiosamente, o facto de termos pouca gente no hotel tem servido de atrativo», diz o diretor comercial do grupo AP.

Quanto ao Natal e ao Ano Novo, épocas em que, num ano normal, a afluência de turistas ao Algarve seria maior, as opiniões também são díspares. No Hotel Eva, «além de novidades que ainda serão anunciadas», os pacotes tradicionais «estão a ter bastante procura».

Por sua vez, Pedro Lopes, do Grupo Pestana, considera que «é uma ilusão fazer planos sem saber sequer se as pessoas poderão circular».

No Dom José, já há um pacote para o Réveillon, mas «os cancelamentos têm existido». «Por exemplo, temos uma reserva de 35 quartos que pode ser sempre objeto de alteração», diz o diretor do hotel de Quarteira.

A situação é sintomática destes novos tempos na hotelaria algarvia, em que, mesmo com adaptações e novas ideias, «tudo tem de ser visto dia a dia».

Fonte | Sul Informação

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